Meu Filho Foi Adotado: Como Lidar com o Contato com os Pais Biológicos?

Contato com pais biológicos após adoção e proteção emocional da criança
Imagem representativa do cuidado e da proteção emocional na adoção, especialmente diante de possíveis contatos com os pais biológicos.

Meu filho foi adotado. E agora surgiu uma dúvida que muitos pais adotivos enfrentam em algum momento: como lidar com o contato com os pais biológicos?
Essa pergunta costuma vir acompanhada de medo, insegurança e, muitas vezes, culpa. Afinal, ninguém quer causar sofrimento ao filho nem colocar em risco a estabilidade emocional da família construída com tanto amor.

A adoção cria vínculos reais, profundos e definitivos. Mas isso não apaga completamente a história anterior da criança. Em alguns casos, o passado reaparece por meio de perguntas, curiosidades ou até tentativas de contato dos pais biológicos. E saber como agir faz toda a diferença.

Neste artigo, você vai entender o que a lei brasileira diz, quais são os limites desse contato, quando ele pode ser saudável e quando deve ser evitado. Tudo com uma abordagem prática, clara e humana.

Antes de falar sobre contato com pais biológicos, é essencial compreender o que a adoção representa juridicamente.

A adoção rompe vínculos jurídicos com a família biológica

No Brasil, a adoção é uma medida irrevogável. Após a sentença judicial, ocorre o rompimento total dos vínculos legais entre a criança e seus pais biológicos, incluindo:

  • Poder familiar
  • Direitos sucessórios
  • Deveres de cuidado e sustento

A partir desse momento, os pais adotivos passam a ser, para todos os fins legais, os únicos pais da criança.

Isso significa que, juridicamente, os pais biológicos não têm mais direitos sobre o filho adotado.

Meu filho foi adotado: os pais biológicos podem procurar a criança?

Essa é uma das perguntas mais comuns feitas por pais adotivos.

Após a adoção:

  • Os pais biológicos não podem exigir contato
  • Não podem visitar, ligar ou conviver com a criança sem autorização
  • Qualquer tentativa de aproximação pode ser impedida judicialmente

Ou seja, não existe direito automático de contato após a adoção.

Mas a realidade emocional é mais complexa do que a lei.

Quando o contato com os pais biológicos pode surgir?

Mesmo sem direito legal, o contato pode surgir em diferentes situações:

  • A criança começa a fazer perguntas sobre sua origem
  • O adolescente demonstra desejo de conhecer os pais biológicos
  • Os pais biológicos tentam se reaproximar espontaneamente
  • Informações acabam surgindo pelas redes sociais

E é nesse momento que muitos pais se perguntam:
Permitir ou impedir?

O contato com os pais biológicos é sempre prejudicial?

Não necessariamente. Tudo depende do contexto, da idade da criança e da história da adoção.

Quando o contato pode ser positivo

Em alguns casos, o contato pode ajudar a criança a:

  • Entender melhor sua própria história
  • Elaborar sentimentos de abandono ou rejeição
  • Construir sua identidade de forma mais segura

Isso ocorre principalmente quando:

  • A criança já tem maturidade emocional
  • O contato é mediado e supervisionado
  • Não há risco psicológico ou físico
  • Os pais biológicos respeitam os limites

Quando o contato pode ser prejudicial

Por outro lado, o contato pode causar danos quando:

  • Reabre traumas antigos
  • Gera confusão emocional
  • Cria falsas expectativas
  • Desestabiliza a rotina da criança
  • Envolve histórico de violência, abuso ou negligência

Nesses casos, proteger a criança deve ser a prioridade absoluta.

A vontade da criança deve ser respeitada?

Sim. E isso é muito importante.

A escuta da criança é essencial

À medida que a criança cresce, sua opinião deve ser considerada, especialmente a partir da adolescência. Mas escutar não significa concordar automaticamente.

Os pais adotivos precisam avaliar:

  • A real motivação da criança
  • O impacto emocional desse contato
  • Se a criança compreende as consequências

Muitas vezes, a curiosidade é natural. Em outras, pode ser reflexo de conflitos internos ou momentos de fragilidade.

O papel dos pais adotivos diante dessa situação

Quando o tema surge, a postura dos pais faz toda a diferença.

O que ajuda muito nesse momento

  • Diálogo aberto e honesto, sem segredos
  • Responder perguntas de forma adequada à idade
  • Evitar mentiras ou histórias fantasiosas
  • Reforçar o vínculo e a segurança emocional

A criança precisa sentir que pode falar sobre o assunto sem medo de magoar.

É obrigatório contar para a criança que ela foi adotada?

Sim. E o ideal é que isso seja feito desde cedo.

A adoção não deve ser tratada como um segredo. Quando a criança cresce sabendo da sua história, o impacto emocional tende a ser muito menor.

Inclusive, isso ajuda bastante quando surge o tema do contato com os pais biológicos.

O contato pode ser proibido judicialmente?

Sim, quando há risco.

Situações em que a Justiça pode intervir

  • Tentativas insistentes de aproximação sem consentimento
  • Assédio ou perseguição
  • Ameaças à estabilidade emocional da criança
  • Descumprimento de orientações

Nesses casos, é possível buscar medidas legais para proteger o menor.

Adoção aberta existe no Brasil?

Diferente de alguns países, o Brasil não adota oficialmente o modelo de adoção aberta.

Aqui, a regra é a adoção com rompimento total dos vínculos jurídicos. Qualquer contato ocorre de forma excepcional, sempre priorizando o melhor interesse da criança.

Como lidar com o contato na adolescência?

A adolescência costuma ser o período em que as perguntas ficam mais intensas.

É comum ouvir frases como:
“Quero saber de onde vim”
“Quero conhecer minha mãe biológica”

Nesse momento, o ideal é:

  • Não reagir com medo ou rigidez extrema
  • Buscar apoio psicológico, se necessário
  • Avaliar caso a caso, com cuidado

Forçar o silêncio pode gerar afastamento. Já o excesso de permissividade pode causar frustração.

O apoio psicológico faz diferença?

Faz muita diferença.

O acompanhamento psicológico pode ajudar:

  • A criança a organizar sentimentos
  • Os pais a lidarem com suas próprias inseguranças
  • A família a atravessar essa fase com mais equilíbrio

Isso não significa que algo esteja errado. Significa cuidado.

O que a lei prioriza em qualquer decisão?

Em qualquer situação envolvendo adoção, a prioridade absoluta é uma só:
o melhor interesse da criança ou do adolescente.

Isso está acima da vontade dos pais biológicos e, muitas vezes, até dos próprios pais adotivos.

Para aprofundar o tema da adoção, recomendamos a leitura de outros conteúdos já publicados no site:

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