Adoção Internacional: requisitos, custos e órgãos envolvidos

Mãos de pais segurando a mão de uma criança, simbolizando adoção internacional.
Adoção internacional: laços que atravessam fronteiras.

A adoção internacional é uma modalidade prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente e segue regras específicas para garantir que a criança seja protegida em todas as etapas. Este artigo explica como funciona a adoção internacional, seus requisitos, documentos, custos envolvidos e quais são os órgãos responsáveis pela tramitação.

O que é adoção internacional

A adoção internacional ocorre quando uma criança brasileira é adotada por residentes ou cidadãos de outro país. O processo segue a legislação brasileira e as regras da Convenção de Haia, que busca assegurar que a adoção aconteça de forma legal, ética e segura.

Essa modalidade só é permitida quando esgotadas as chances de colocação da criança em família brasileira, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente.

Requisitos para a adoção internacional

Para iniciar o processo de adoção internacional, é preciso cumprir requisitos estabelecidos pelo ECA e pela Convenção de Haia. Entre os principais critérios estão:

  • Inscrição e habilitação no Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento.
  • Avaliação psicossocial e participação em cursos preparatórios.
  • Idade mínima de 18 anos e diferença mínima de 16 anos entre adotante e adotado.
  • Ser cidadão ou residente de país signatário da Convenção de Haia.
  • Não possuir antecedentes que impeçam a adoção, como crimes contra crianças, violência doméstica ou tráfico de pessoas.
  • Cumprir exigências específicas impostas pelas autoridades do país de acolhida.

Órgãos envolvidos na adoção internacional

Diversas instituições participam do processo para garantir sua segurança e legalidade. Entre elas:

  • Autoridade Central Administrativa Federal, vinculada ao Ministério da Justiça.
  • Autoridades Centrais Estaduais.
  • Varas da Infância e Juventude.
  • Ministério Público.
  • Organismos internacionais credenciados pelo país adotante.
  • Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento.

Cada órgão tem um papel essencial, desde a habilitação dos adotantes até o envio de relatórios pós-adoção.

Como funciona o processo de adoção internacional

O processo segue etapas bem definidas. Abaixo está um resumo prático da tramitação:

1. Habilitação no país de origem dos adotantes

O candidato busca a autoridade responsável no país onde reside para realizar entrevistas, avaliações psicológicas e levantar documentos.

2. Encaminhamento ao Brasil

Se habilitado no exterior, o processo é enviado para a Autoridade Central brasileira, que analisa se o país está regular e se o perfil dos adotantes está de acordo com a legislação brasileira.

3. Habilitação no Brasil

Os documentos são analisados pela Autoridade Central estadual e pela Vara da Infância. O habilitado é inserido no SNA.

4. Busca por criança disponível

O sistema identifica crianças compatíveis com o perfil informado. Na adoção internacional, as chances aumentam para perfis com grupos de irmãos, crianças mais velhas e crianças com deficiência.

5. Estágio de convivência

Após o match, o adotante vem ao Brasil para conviver com a criança. O estágio é acompanhado pela equipe técnica.

6. Sentença de adoção

Concluído o estágio, a Vara da Infância analisa os relatórios e pode proferir sentença determinando a adoção.

7. Relatórios pós-adoção

O país adotante envia relatórios periódicos ao Brasil por um período determinado pela sentença.

Documentos exigidos

Os documentos mais comuns no processo são:

  • Cópias de RG ou passaporte.
  • Comprovante de residência.
  • Certidões criminais e cíveis.
  • Atestado de sanidade física e mental.
  • Relatório psicossocial.
  • Comprovantes financeiros.
  • Declaração de idoneidade moral.
  • Fotografias da família e da residência.
  • Documentos traduzidos por tradutor juramentado.

O juiz pode solicitar outros documentos conforme o caso.

Custos para realizar a adoção internacional

A adoção no Brasil não possui taxa cobrada pelo Estado. Porém, existem custos relacionados ao processo, como:

  • Traduções juramentadas.
  • Deslocamentos ao Brasil para o estágio de convivência.
  • Honorários de organismos internacionais credenciados no país adotante.
  • Em alguns casos, despesas com hospedagem e documentação da criança.

Os valores variam de acordo com o país de acolhida e devem ser verificados diretamente com a autoridade do local.

Prazos do processo

O prazo de uma adoção internacional pode variar devido a fatores como:

  • Perfil da criança buscada pelo adotante.
  • Tempo de habilitação no país de origem e no Brasil.
  • Tempo de deslocamento e estágio de convivência.
  • Demandas da Vara da Infância e equipe técnica.

Por isso, não é possível fixar prazos determinados.

Riscos e cuidados da adoção internacional

A adoção internacional exige atenção especial. Os principais cuidados incluem:

  • Verificar se o país é signatário da Convenção de Haia.
  • Confirmar se o organismo intermediador é credenciado.
  • Evitar acordos informais ou promessas de agilização do processo.
  • Manter todos os documentos atualizados e legalizados.
  • Acompanhar orientações da Vara da Infância e da equipe psicossocial.

Perguntas frequentes sobre adoção internacional

Quem pode fazer adoção internacional?

Qualquer pessoa maior de 18 anos, sem antecedentes impeditivos e residente em país signatário da Convenção de Haia, desde que habilitada no país de origem e no Brasil.

Quanto custa a adoção internacional?

Não existe taxa pública no Brasil, mas há despesas de tradução, deslocamento, hospedagem e serviços do organismo internacional. Os valores variam conforme o país.

É possível adotar bebês pela adoção internacional?

É possível, mas menos comum. A adoção internacional geralmente prioriza crianças mais velhas, grupos de irmãos e crianças com deficiência.

Quanto tempo leva o processo?

O prazo depende de muitos fatores, como perfis buscados, exigências do país adotante e tempo de habilitação. Não há prazo fixo.

Conclusão

A adoção internacional é um processo estruturado que visa garantir segurança, legalidade e o melhor interesse da criança. Cada etapa envolve cuidados importantes, desde a habilitação até o estágio de convivência. Para entender outras modalidades, o leitor pode conferir conteúdos como Adoção no Brasil: Regras, Processo e Dúvidas Comuns e Adoção por Casais Homoafetivos: etapas, direitos e desafios.

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