A herança no Direito de Família envolve regras claras sobre quem tem direito aos bens deixados por uma pessoa falecida e como ocorre a partilha. Entender como funciona a sucessão evita conflitos e ajuda a família a tomar decisões com segurança jurídica.
Nesse artigo:
O que é herança no Direito de Família
Herança é o conjunto de bens, direitos e dívidas deixados por uma pessoa após sua morte. Esse patrimônio será transmitido aos herdeiros conforme as regras do Código Civil.
O Direito de Família se relaciona diretamente com a herança porque define vínculos como casamento, união estável, filiação e parentesco, que influenciam na divisão dos bens.
Quem tem direito à herança
Herdeiros necessários
São aqueles que têm direito garantido a pelo menos 50% do patrimônio, chamada legítima:
- Descendentes, como filhos e netos
- Ascendentes, como pais e avós
- Cônjuge
O companheiro em união estável possui os mesmos direitos sucessórios do cônjuge, conforme decisão do STF no RE 878.694.
Ordem de vocação hereditária
Quando não há testamento, a lei estabelece a seguinte ordem:
- Descendentes, concorrendo com o cônjuge dependendo do regime de bens
- Ascendentes, concorrendo com o cônjuge
- Cônjuge sozinho
- Colaterais até o quarto grau, como irmãos, tios e sobrinhos
Se não houver herdeiros, os bens podem ser destinados ao Estado.
Como funciona a partilha da herança
A partilha é a divisão formal dos bens entre os herdeiros. Ela ocorre por meio do inventário.
Inventário judicial
É obrigatório quando:
- Há herdeiro menor ou incapaz
- Existe conflito entre herdeiros
- Há testamento que exige validação judicial
O juiz supervisiona o processo e homologa a divisão.
Inventário extrajudicial
Pode ser feito em cartório quando:
- Todos os herdeiros são maiores e capazes
- Há consenso entre eles
- Não há testamento válido pendente de cumprimento
É necessário advogado.
Base legal: art. 610 do CPC.
Regime de bens e impacto na herança
O regime de bens do casamento influencia diretamente na herança.
Comunhão parcial
O cônjuge não herda os bens adquiridos na constância do casamento se já for meeiro, mas pode concorrer sobre bens particulares do falecido.
Comunhão universal
O cônjuge já é dono da metade do patrimônio e pode não concorrer na herança sobre determinados bens.
Separação obrigatória
Existem entendimentos consolidados no STJ sobre a comunicação de bens adquiridos na constância do casamento, conforme Súmula 377, mas cada caso exige análise específica.
Documentos necessários para inventário
- Certidão de óbito
- Documentos pessoais do falecido
- Documentos dos herdeiros
- Certidões de casamento ou união estável
- Documentos dos bens
- Certidões negativas fiscais
Prazos importantes
O inventário deve ser iniciado em até 60 dias a contar do falecimento, sob pena de multa sobre o ITCMD conforme legislação estadual.
O prazo para conclusão pode variar conforme complexidade e consenso entre herdeiros.
Custos envolvidos
- ITCMD, imposto estadual que varia conforme o Estado
- Custas judiciais ou emolumentos de cartório
- Honorários advocatícios
O ITCMD tem previsão constitucional no art. 155, I, da Constituição Federal.
Riscos de não realizar o inventário
- Impossibilidade de vender bens
- Bloqueio de contas bancárias
- Multas tributárias
- Conflitos familiares prolongados
Exemplo simples
Imagine que João faleceu deixando esposa e dois filhos. O patrimônio é composto por um imóvel adquirido antes do casamento e um carro comprado após o casamento sob regime de comunhão parcial.
A esposa terá direito à meação do carro. Sobre o imóvel particular, ela concorre como herdeira junto com os filhos, conforme regras do Código Civil.
Perguntas frequentes
Filho fora do casamento tem direito à herança?
Sim. A Constituição Federal garante igualdade entre os filhos, independentemente da origem.
A união estável dá direito à herança?
Sim. O STF equiparou os direitos sucessórios do companheiro aos do cônjuge.
É possível excluir um herdeiro necessário?
Somente em hipóteses específicas previstas em lei, como indignidade ou deserdação.
Dívidas entram na herança?
Sim. As dívidas são pagas com o patrimônio deixado, respeitando limites legais.
Planejamento sucessório
Organizar a sucessão em vida pode evitar conflitos futuros. Instrumentos como testamento e doação com reserva de usufruto são alternativas previstas em lei.
Conclusão
A herança no Direito de Família envolve regras específicas sobre quem tem direito e como ocorre a partilha. Conhecer essas normas ajuda a família a agir de forma organizada e evitar disputas desnecessárias.
Se houver dúvidas sobre sua situação específica, é recomendável buscar orientação jurídica individualizada ou consultar outros conteúdos informativos do nosso blog.





